25.11.16

Impeachment do Temer? Ora, francamente...

Será que ninguém percebeu que o governo Temer era apenas uma mudança de rumos no país, e que, do ponto de vista ético, seria trocar seis por meia dúzia? Ainda nessa tocada: será que as pessoas eram cegas o suficiente para entender que se era para medir honestidade Dilma poderia ser mais ética e honesta do que o atual chefe de Estado e de governo brasileiro?

Acredito piamente que Dilma deveria ter sido tirada do poder, não tanto pelos crimes do petrolão, mas por sua incompetência. Creio, particularmente, que só o parlamentarismo resolveria as crises que volta e meia existem em nosso Estado pseudo-policial.

Entretanto, deixemos de hipocrisia: o impeachment só foi para a frente porque a ex-presidente não sabia lidar com a política como ela é.

Temer sabe o que faz. É uma raposa velha. Reconhece que o Congresso é que tem o controle do país nessa fase da República, não obstante a Lava-Jato querer detonar a tudo e a todos.

Precisa dos políticos para governar. Esses, que todo mundo odeia, mas elege.

E sabe aquilo que a classe política mais detesta: ingratidão, humilhação, desmoralização.

Dilma fazia isso o tempo todo. Não governava em conjunto com os Poderes, em harmonia. Desautorizava articulações políticas, e achava que a rua resolveria tudo.

Quando os políticos cansaram, caiu. Sem muito esforço.

Vocês acham, francamente, que Temer, antenado com o mercado, os donos do poder e o Congresso, cairá desse jeito? Seria muita ingenuidade pensar assim.

Afinal, as ruas não representam a média da população. Talvez nem representem elas mesmas.

E os que realmente pagam a conta - empresários, trabalhadores, povo - querem paz.

E compras. Na Black Friday. Pela metade do dobro. Financiado.

Mas hoje. 

Não amanhã.

fps, 25/11/2016, 22:16

18.11.16

Reflexão



"Mesmo que ninguém perceba o seu valor é preciso seguir em frente. 

Lutar contra as intempéries, afastar os pingos de chuva, proteger os olhos do sol.

Mesmo que ninguém se importe, você se importa. 

Você se importou. Fez por merecer o lugar que tem hoje.

Agora vem o caminho das sombras, 
o desfiladeiro por onde os valentes passam para chegar onde desejam.

Não desista. Perto ou longe, não deixe de lutar.

Mesmo que ninguém queira saber de você, alguém está do teu lado. ELE está contigo.

E isso é o que interessa. 
É o que realmente importa. 
É o que você precisa.".

fps, 18/11/2016, 18:18

13.10.16

Para pensar

Ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para esculpir a serenidade. Usar a dor para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
 

2.10.16

Dória prefeito: a vitória do que São Paulo é sobre o que ela deveria ser

Enquanto a elite progressista de São Paulo chora a desgraça de ter perdido o prefeito mais revolucionário que passou pela cidade desde a redemocratização vamos nos focalizar nos dois modelos de cidade que poderiam ter passado ao segundo turno - claro, se a turba não tivesse se assustado com a votação forte de Fernando Haddad e despejado em João Dória votos suficientes para que o "coxinha de suéter" tucano se tornasse prefeito em primeiro turno.

...

Comecemos pelo grande derrotado, Haddad e o que São Paulo "deveria ter sido".

Haddad representa a esperança, propagada no Brasil por sites como o Cidade dos Sonhos e por pensadoras urbanísticas como Raquel Rolnik, de que São Paulo se tornasse uma cidade mais humana. Esse movimento de sonhadores urbanos, que vê cidades como Amsterdam e Copenhague como o ideal dos grandes centros, foi quem mais alimentou as atitudes que a Prefeitura de São Paulo tomou nos últimos anos - e a consequente raiva dos cidadãos contra um governo que, na opinião do Centro e das periferias, nada fez pelo cidadão paulistano, a não ser atrapalhá-lo.

Agindo como se vivesse em um mundo à parte, a Prefeitura teve a pachorra de comemorar medidas impopulares como se fossem grandes feitos. Imaginou poder mudar a opinião do cidadão médio culpando "a mídia" ou "a classe média" pelo retrocesso. Foi alimentada, nesse processo, por blogs e sites progressistas que desdenhavam claramente do sofrimento do cidadão médio da cidade.

Um governo que se nega a atender à necessidade do cidadão não poderia prosseguir. Seria ingenuidade dos petistas mais radicais e da turma "hipster" da cidade, aquela que mal sai do eixo Paulista-Baixo Augusta-"Vila Madá", imaginar que o atual prefeito conseguiria a reeleição.

Quem fala que os indignados da cidade apenas fazem "mimimi" merece levar uma surra - nas urnas, não nas ruas. E que foi dada em grande estilo, vinda de um cidadão que é o oposto de tudo isso que São Paulo viveu nos últimos quatro anos.

...

Se o futuro ex-prefeito é o sonho, João Agripino da Costa Doria Junior (ou Bisneto) é a realidade.

O lobista, publicitário, filho de deputado cassado pela ditadura, ex-presidente de estatal paulistana, ex-apresentador de "reality show"e de programa empresarial representa a fundo a imagem de uma São Paulo odiada pelos "hipsters", mas que é desejada pela grande maioria dos cidadãos.

É a "selva de pedra", sem humanidade aparente, em que as pessoas querem ser atendidas pelo Estado com um padrão de iniciativa privada (que SEMPRE será melhor, em sua opinião) e poder garantir para si e sua família uma "qualidade de vida", com as necessidades atendidas em primeiro lugar.

Esse cidadão, de todas as classes, não deseja ser incomodado por um conjunto de políticas públicas que não o favoreça, e que o obrigue a abrir mão de suas comodidades em função de um "bem comum" supostamente mais importante. Afinal, suas prioridades são mais relevantes do que esse todo, já que ele não tem tempo - ou possibilidade - de mudar seu estilo de vida para agradar à coletividade (entenda-se: aos membros da "elite progressista paulistana").

Aliás, ajustando bem os verbos: não é que ele "não deseja" ser incomodado. Ele NÃO QUER.

O cidadão comum não quer andar como "lesma lerda" nas Marginais e em outras avenidas porque irresponsáveis podem passar na frente dele - assim como não aguenta mais ver o drogado ao seu lado causando medo em seus filhos quando passa na rua. Ele detesta ver as ruas fechadas, impedindo seu direito de ir e vir rapidamente, para resolver coisas que deixou para fazer no final de semana.

Ah, e mais ainda: ele não usa ciclovia, nem ciclofaixa. Talvez até goste de uma bicicleta, mas para os fins de semana de lazer - afinal, quem tem medo de moto vai usar a "bike" todo dia?

...

São Paulo é uma cidade que se desenvolveu em torno de relações privatizadas. Loteamentos particulares desenvolvidos por companhias caras, ligados por grandes avenidas que "solucionaram" o problema dos córregos que inundavam a cidade - e que aumentaram ainda mais a segregação, ao delinear os bairros ricos, pobres e remediados que temos hoje.

Uma situação caótica, injusta, cruel - mas que esconde uma verdade inconveniente: o cidadão se acostumou a isso. Na verdade, até gosta, pois os bairros residenciais, tranquilos, se separam das zonas boêmias, e as áreas comerciais não "atrapalham" os locais com "cara de casa".

Essa era a situação da maior cidade do Brasil, esse microcosmos de tantos defeitos, essa metrópole ingovernável e incompreensível, que sempre está próxima do caos.

Mas que, surpreendentemente, se identifica com ele. Até o alimenta.

...

Dória não é o que a cidade precisa, mas é o que ela quer. Melhor se acostumar com isso.

P. S.: Em uma propaganda, a Prefeitura chama São Paulo de "Sampa" e define a cidade em poesia. Na outra, louva os feitos da administração enquanto mistura hip-hop com rap.

Desculpe, mas... quem é que disse que isso poderia dar certo?

14.9.16

Falou tudo...

10.9.16

Motivos para NÃO votar Haddad? Eu tenho alguns...

Corre um texto por aí, nas redes sociais, dizendo que temos que votar no Haddad porque "a cidade é (sic) as pessoas" e convocando todo mundo a largar de ser fantoche, porque o prefeito:

- Melhorou o trânsito
- Reduziu as mortes no trânsito
- Devolveu a rua para as pessoas em todas as subprefeituras
- Ressuscitou o Carnaval de rua de SP gerando receita
- Aprovou o plano diretor
- Construiu hospitais
- Construiu creches a ponto de quase zerar a fila de espera (vai zerar em 2 anos)
- Deu passe livre a 700 mil estudantes
- Construiu universidade
- Construiu mais de 400km de corredores e faixas de ônibus
- Entregou 400km de ciclovia
- Reduziu em 4 horas/semana o tempo gasto pelo trabalhador para ir e voltar do trabalho
- Criou um órgão de auditoria independente
- Não teve um caso de corrupção
- Não enriqueceu
- Regulamentou o Uber
- Reduziu a dívida do município

Vamos por partes: primeiro, ninguém pediu para o Haddad reduzir a velocidade nas ruas da cidade, nem construir ciclovias, tirar os carros das ruas aos domingos ou inventar faixas de ônibus onde elas não deveriam existir (como se o cidadão que usa carro fizesse isso por "vício", e não por necessidade).

A não ser que você seja um "modernette", do tipo que usa bicicleta para ir ao trabalho (ou que trabalhe em casa) a maior parte do que Haddad fez foi inútil para o cidadão paulistano. Este, o que vive nos bairros e se desloca por uma, duas horas para ir ao trabalho, precisa de alguém que faça a cidade funcionar do jeito que ele precisa, não da forma que a elite do eixo Paulista-Baixo Augusta-Pinheiros-"Vila Madá" sonha.

De que adianta reduzir o tempo gasto pelo trabalhador para ir de ônibus ao trabalho, se as baldeações forçam você a ir encaixotado, ou esperar mais tempo do que o previsto? Como se sente aquele que vê os estacionamentos proliferarem para todo lado, as ciclofaixas vazias, e sabendo que ele não pode simplesmente largar o carro e vir de "bike" ao trabalho?

De fato, ele conseguiu organizar as finanças da cidade, é um cara honesto, combateu a corrupção, fez o básico de governança que muitos desejam. Entretanto, isso é o que dá, mais raiva: Haddad seria o cara perfeito para governar a cidade, SE percebesse o que o cidadão quer de São Paulo.

Alguém que seja um síndico da cidade, que gerencie bem os nossos impostos - e que, sobretudo, NÃO INVENTE, não entre em modismos que não vão agregar valor para a vida do cidadão.

Que não fique achando que "precisamos evoluir", que entenda que São Paulo não é só o Centro, mas também os bairros, zonas e espaços - com diferentes necessidades, em todas as áreas.

Cidades são para pessoas, sim. Não devemos negar isso.
Mas pessoas querem a SUA cidade, não a dos outros.

Afinal de contas, não moramos em Amsterdam, Copenhague, ou Manhattan. Moramos em São Paulo.

E isso, lamentavelmente, Haddad não percebeu.

(original em https://www.facebook.com/trashetc/posts/1064309010312903)

23.8.16

Para pensar

Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto – é como se abrisse o mesmo livro – numa página nova…Uma vida não basta ser vivida. Ela precisa ser sonhada.
 
Mario Quintana

6.8.16

Comentários olímpicos (antes que passe a euforia ...)

Que festa, senhores ... que festa!

...

Embasbacados até agora, com o que o Rio pode fazer de melhor, esquecemo-nos por uns tempos das coisas ruins que ouvimos, e falamos, sobre o Brasil e ligamos a chave do ufanismo (embora, dessa vez, com o pé atrás pelos maus momentos que passa o país).

Diga-se de passagem, apesar de tudo o Brasil é capaz de fazer Jogos Olímpicos memoráveis. Toda Olimpíada, aliás, tem momentos inesquecíveis, e o Maracanã provou que sabemos fazer boas festas.

...

Temer vaiado? Claro. Políticos sempre serão os "papagaios de pirata", e o brasileiro não perdoa quem quer ser maior que a festa. Ainda vai existir o brasileiro que realmente goste de protocolo oficial, com discursos intermináveis exaltando os feitos dos chefes e governantes de plantão.

De mais a mais, não custa lembrar que os estádios brasileiros, até agora, só aplaudiram ditadores - Médici e Vargas estão aí para mostrar que as massas não costumam ser exemplo de reflexão.

...

Anita arrasou (e ainda deu patada no Waack, que glória!). 

...

Era para ser o Pelé. Mas a justiça fez com que Vanderlei acendesse a pira.

Afinal, o imaginário coletivo diz que futebol é futebol, Olimpíada é Olimpíada. E com a opinião do povo não se brinca: "vox populi, vox dei".


...

E que pira, gente. Que pira!

...

Os Wright inventaram o planador. O avião, esse é nosso.

...

Aquecimento global? Sim, claro, é bom economizar recursos.

Entretanto, quem dá o crédito de carbono para os países da periferia se desenvolverem?

...


Um texto anterior, desse que vos escreve, mostra o que achava pouco antes da Olimpíada começar:
Desde a sua refundação os Jogos Olímpicos serviram para muita coisa, boa e ruim. Propaganda de ditaduras, marketing de empresas, reconstrução de cidades, superação dos atletas. Serve até para o reforço dos nacionalismos (embora muitos hoje em dia achem que isso não tenha tanta importância). 
Prefiro acreditar, contudo, que para um grupo de pessoas tudo valerá a pena. Os atletas brasileiros, sempre desprezados, mereciam muito mais respeito do governo e iniciativa privada (tanto quanto, por exemplo, os nossos expoentes culturais, que tem privilégios e dinheiro que passam longe de nosso Esporte). 
Se nesta Olimpíada nossos atletas fizerem bonito, me dou por satisfeito. Eles só tem essa oportunidade para garantir o pão dos próximos quatro anos - pois as medalhas é que dão visibilidade (e, consequentemente, o investimento, ou a falta dele). 
Nosso país não sabe fazer marketing institucional. Isso está provado. Mas ao menos o Esporte devia ficar como um legado.
Se os atletas conseguirem um recorde de medalhas, e o país conseguir engatilhar uma boa política esportiva em consequência disso, todo o esforço de Nuzman, o arquiteto do Pan e da Rio 2016, esse dinheiro todo terá valido a pena.

...

Ingenuidade? Talvez. Mas permita-me isso.

Afinal, fosse pelos espertos, nunca faríamos Jogos Olímpicos no Rio.


3.8.16

A abertura da Olimpíada e a cisma em querermos vender ao mundo um Brasil que não existe

Este que vos escreve tem como "hobby" - na verdade, obsessão - ler e pensar sobre o mundo que o cerca, até porque a reflexão nos mantém protegidos da estupidez que assola o mundo. Em uma dessas andanças, me deparo com essa explicação, que Pedro Doria deu a respeito da polêmica envolvendo Gisele Bundchen e o assaltante-ambulante na abertura da Olimpíada de 2016:

"Quem assistiu ao ensaio da cerimônia de abertura das Olimpíadas tomou um susto. À distância, incorporando a aura da garota de Ipanema, Gisele Bundchen parecia ser assaltada por um menino negro para, ao fim, ser salva por policiais militares. O Comitê Rio 2016 rapidamente se manifestou. Mal entendido: não se tratava de um pivete mas de um camelô e a garota Bundchen apenas achava que era assalto.

A jornalista Flávia Oliveira é quem melhor articulou o problema. Camelôs vêm de uma tradição colonial. Os escravos urbanos eram enviados por seus senhores à rua para, ambulantes, vender comidas. Depois, libertos e sem estrutura, vendiam o que dava na mesma rua para sobreviver. A moça alta, bela e branca que se assusta com o ambulante negro está reencenando uma história perversamente brasileira. Reforçando um estereótipo, estimulando preconceito."
Descontando-se o fato de que o preconceito não vai acabar por decreto, ou porque retiramos toda menção a ele da mídia, me pus a pensar sobre a falta de bom senso que o politicamente correto de tirar uma nesga de realidade da abertura dos Jogos. Afinal, só no Brasil o pessoal consegue sentir vergonha quando falamos na figura do camelô, ou do ambulante - que é alguém que trabalha, e duro, para garantir sua subsistência (aliás, poucos sabem que escravo podia abrir conta-poupança, a fim de comprar sua carta de alforria ... e muitos compravam sua liberdade com os trabalhos extras feitos nas ruas como "negro de ganho").

Além disso, devemos fingir que a realidade não existe, é 'rosinha', politicamente correta, e ninguém se assusta com a chegada de um suspeito na rua - e dá risada quando descobre que não é nada disso? Ou deveríamos admitir que isso é uma verdade, ainda que inconveniente?

Quando queremos mascarar a realidade demais, declarando que ela não existe e mostrando algo diferente, ela nos soa falsa. Não dá credibilidade. Fica parecendo propaganda de ditadura.

E, observem: só nos países ditatoriais tudo funciona às mil maravilhas. Cingapura, onde o indivíduo insiste em te vender a imagem de um país perfeito mas no qual se vê o medo no olhar do estrangeiro; Azerbaijão, que estampa imagens de 'muito bem, Baku' em um GP que não tem patrocínio nenhum; Coreia do Norte, onde o sistema é tão puxa saco que ninguém percebe o ridículo que é cantar 'longa vida ao ditador' o tempo todo.

A realidade brasileira é dura, cruel - e o seu estereótipo é a verdade. Perdemos uma boa chance de discutir isso, ao invés de fingir que isso não existe, no bom estilo 1964.

Aliás, não era a ditadura que inventava um país que não existe, pelas mãos de uma mídia que fingia que estava tudo bem, enquanto o povo, via de regra, ia mal?

...

Pedro Doria disse que esse é "o preço de desconhecer a História". Eu, porém, vos digo: muito pior é tentar inventar uma História que não existe, para transformar vergonha em orgulho e vice-versa.

Isso porque o povo percebe que algo não está certo. E repudia o que não aceita.


21.7.16

"Escola sem Partido": algumas observações sobre o assunto

É lícito ou não falar de Marx nas escolas, sem citar Mises? Falar de evolução sem citar o "design inteligente" e explicar sobre o criacionismo - se bem que isso o professor de Biologia já faz naturalmente? É correto dizer que as FARC lutam pelo povo, e que o capitalismo é mal? Se eu sou gay, isso é absolutamente natural e ninguém, nem Deus, tem nada a ver com isso?

Numa comparação bem rasteira, é isso que andamos discutindo hoje em dia, com o "Escola sem Partido": se nossos filhos podem ou não ter acesso a outras opiniões além do que a família ensina. Alguns fatos, porém, valeriam uma análise mais profunda:
  1. O fato de estarmos discutindo a educação de nossos filhos é prova de evolução da sociedade: quer gostemos ou não de movimentos como o "Escola sem Partido", não podemos negar que enfim estamos vendo os pais saírem da posição passiva em que estavam quando se falava que a educação dos seus filhos era péssima. Infelizmente, não é pelos melhores motivos, e isso se explica pelo motivo seguinte;
  2. Os pais não querem uma educação que faça pensar, querem da escola um prolongamento de suas casas: "eu não quero que meu filho ouça essa @!@!@#$!@#$ de comportamento comunista", isso é o que mais se ouve dos pais que apoiam a "direita educadora". Se ideologia de gênero ou evolucionismo são defendidos por liberais capitalistas, não importa - o que eu quero é "ver esse lixo petista fora daqui", o que generaliza a discussão a níveis absurdos, pois se faz necessário estudar movimentos como o comunismo ao menos - e principalmente - para não repetir seus muitos erros.
  3. O que nos leva a terceira conclusão, já citada por alguns filósofos: a "esquerda" está lidando de forma errada com tudo isso. Você pode gritar, brigar, até não falar nada, rebatendo com argumentos, mas jamais - repito, JAMAIS - se deve ridicularizar o oponente, falando "vai ter doutrinação, sim" e ouvindo o indivíduo com aquela cara de "ahã, certo", como se ele estivesse defecando pela boca. Este que vos escreve conhece gente de esquerda que adora fazer esse tipo de raciocínio, como se o que seu oponente falasse não tivesse valor algum - e como se não se fosse necessário combater ideias com ideias, e responder aos questionamentos de pessoas que estão com (justo) receio de que seus filhos se tornem massa de manobra no futuro.
Ideias se combatem com ideias, não com ridicularizações. Gente de esquerda está "ganhando" batalhas em redes sociais, e perdendo guerras importantes junto à média da população - que precisa ser esclarecida, acima de tudo, não conscientizada ou "evangelizada" para as ideias progressistas (e como se o "tapetão do bem" da mídia ou do STF servisse para mudar a opinião da massa).

Essa é a batalha que importa: a do confronto de ideias, do esclarecimento, do "partir para a briga". Enquanto a esquerda achar que isso é inútil, ficará para trás - e verá o retrocesso se instalar no debate.

30.6.16

Para pensar

Por mais inteligente que alguém possa ser, se não for humilde, o seu melhor se perde na arrogância. A humildade ainda é a parte mais bela da sabedoria.
 
Autor desconhecido

1.6.16

Pitacos políticos e outros que tais

Aos fatos, senhoras e senhores: Dilma pode realmente voltar? Pode.

Só que, se voltar, não renuncia - e não governa com o Congresso que aí está. Vai querer ligação direta com as ruas e movimentos sociais que chamam Temer de "golpista" o tempo todo.

E que não foram eleitos para o Congresso. Para nada, aliás.

...

A turma verde-amarela que foi às ruas não gosta do vice. 

Mas, no dizer dos outros, é o que tem para hoje. Com, ou sem Lava Jato.

...

Não estou inspirado, definitivamente. Fui!

28.5.16

Século XIX ...


Não tenho pena de "mané". 

Homem que vai para baile funk, via de regra, procura farra do pior tipo - bebida, drogas, sexo, "zueira". Se há quem se meta a currar uma garota que está fora de si, também deve assumir a responsabilidade (e a pena) de quem vive em uma terra onde a navalha do chefe é a lei.

...

Notícias dão conta que o dono do morro onde aconteceu o estupro coletivo mandou matar os 33. Foi mais rápido que o devido processo legal, que não encontrou provas suficientes do crime.

Foi, também, no ritmo ideal de sites como o "Sensacionalista" e outros, para os quais, em tese, bastaria a palavra da mulher para comprovar o estupro. Sem processo, sem coleta de evidências, sem nada que pudesse realmente desenhar o que ocorreu naquele dia.

Foi, também, aquilo que sítios como o Dr. Pepper insinuaram que deveria ser feito - e melhor até do que o Bolsonaro, aquele da castração química e da pena de morte para estuprador, teria feito.

...

O morro não tem papo. Atrapalha os negócios? Tchau.

Desse ponto de vista, dá para entender porque o traficante está sendo tão rápido. Muita polícia, entrando e saindo, atrapalha o "core business", a venda da droga.

Se alguém me atrapalha, eu tiro do caminho. Como nos tempos dos feudos, em que o soberano mandava na vida de todo mundo que lá estava.

Inclusive com direito à virgindade das esposas, tratadas como propriedade preciosa.

...

Alguém falou a este escriba que a nossa cultura em relação às mulheres refletia "uma mentalidade de século XIX". Bom, naquele tempo a honra das mulheres se confundia com o hímem intacto, e não se concebia uma mulher ter relações sexuais com outro homem que não seu marido.

Era um tempo, aliás, no qual sexo era "uma coisa suja", que mulher decente não fazia por vontade. Não vamos nos esquecer, há muitos relatos daquela época nos quais o verdadeiro amor não se encontrava nas casas de bem, mas nas ruas, com as "vadias". Algumas eram, inclusive, tidas e mantidas pelos de posses (as "teúdas e manteúdas", dos tempos de Tieta do Agreste).

Violar a honra de uma mulher era punido de foram severa, e a mera insinuação de que uma donzela tinha perdido "seu bem mais precioso" era motivo para um duelo. Deflorar uma virgem era motivo para que existisse o desejo de vingança, pelos parentes das vítimas, porque a mulher se reduzia, na época, a mero instrumento de procriação.

Supostos estupros, então, eram motivo para que o estuprador casasse com a vítima - ou encarar cadeia, talvez morte. 

...

Hoje, criminosos tratam estupradores como "mulherzinhas da cadeia", porque tem mães e filhas. Não aceitam que não respeite mulher, em uma mistura de humanidade com brutalidade que impressiona.

São mais rápidos que o Direito: este precisa de um procedimento, e de provas verdadeiras, para punir os culpados - geralmente com reclusão, que, para muitos, "não funciona", porque "pau que nasce torto não tem jeito".

Morre torto, nas mãos de criminosos que não tem o mínimo respeito por "processo penal".

...
A internet, em breve, estará vingada: os estupradores estão jurados de morte. Talvez isso possa ser um paradigma para que a "cultura do estupro" enfim seja combatida.

Ou não, porque o linchamento virtual continua à solta. Já há muitos que citam opressões na música, nas artes, que estas influenciam o "status quo" vigente - omo se tais coisas não mostrassem a realidade, da banalização extremada do sexo.

Que já existia há muito tempo - e está sendo combatida do pior jeito possível, tornando tudo isso em "opressão".

...

Caminhamos rapidamente para o século XIX em pleno século XXI - e, o que é pior, sem flerte, porque em breve isso será proibido nas relações entre gêneros.

Mas os estupradores continuarão por aí, firmes e fortes. E, com eles, o medo.

E a paranoia.


21.5.16

Precisamos mesmo de um Ministério da Cultura? Ou os artistas mimados podem viver sem o nosso dinheiro?


Cultura vai, Cultura vem, volta a ser Ministério.

Ciência e Tecnologia já foi da Indústria e Comércio. Hoje, é das Comunicações, não sei por que.

Reforma Agrária era Ministério, virou secretaria, talvez volte. 

Pesca já foi tarde, Igualdade Racial foi (e deixou de ser). 

Até AGU tinha esse status. E, agora, perdeu.

...



Políticas para as Mulheres, Cidadania, Direitos Humanos, e até Banco Central e CGU tinham ministros (embora fossem, de fato, secretarias especiais, "de porcaria nenhuma", para atender a grupos específicos e dar a seus ocupantes foro privilegiado).

Já foram 26, o governo petista subiu para 39, e agora, serão 24, com a volta da Cultura ao "primeiro time". Seria leviano dizer que é desperdício ter tanto Ministério - mas não deixa de ser frustrante perceber que todos querem reduzir a máquina pública, desde que não mexa no seu quinhão.

...

Criam-se pastas ministeriais no Brasil para dizer que se está dando atenção a uma determinada área do governo. Dilma Rousseff, diga-se de passagem, sonhava com 18 ministérios (um a mais do que os 17 prédios da Esplanada), mas nunca conseguiu levar isso adiante - assim como Michel Temer.

Tal ocorre, aliás, por um singelo motivo: os "queridinhos de plantão" sempre acham que é a SUA área que merece ser privilegiada com um Ministério-de-Qualquer-Coisa, um ministro (com os privilégios) e um naco do orçamento separado para os seus projetos.

Um afago no ego tremendo, uma prova de que a área está tendo algum valor. 

Mas só na teoria. Porque, na prática, o que acontece é um tremendo desperdício.



...

O problema de se achar que todas as áreas possíveis merecem um Ministério é que ninguém consegue garantir que suas demandas serão atendidas do jeito certo, principalmente porque os cargos de primeiro escalão são indicados em 99% dos casos por critérios políticos

Em tese é muito melhor ter um ministro político, coordenando a área, e secretarias executivas com técnicos que saibam o que estão fazendo - além de áreas administrativas conjuntas (o mesmo motorista dando apoio à Educação e Cultura, por exemplo). 

Otimização de recursos, que a iniciativa privada conhece tão bem - e que o Estado costuma desprezar, porque cada um acha que a sua área é importante, e merece um Ministro para ser o seu "aspone".

...

Cultura voltará a ser Ministério, na terça (isso se o Temer não recuar de novo do recuo). Entretanto, as políticas culturais não serão mais valorizadas por causa disso - assim como a Secretaria de Direitos Humanos não será menor por ser secretaria, mas por ter uma pessoa do gabarito de Flávia Piovesan no seu comando (talvez uma das poucas que pode bater de frente com Alexandre de Moraes).

"- Mas temos um Ministro da Cultura!!!!"

Grande coisa ...  

... de que adianta ter um Ministério se o povo achar que todo artista é um mimado, que só quer mamar nas tetas gordas do governo, gastando o nosso dinheiro em coisas sem sentido algum?

20.5.16

Para pensar

"Devemos nos comportar com os nossos amigos do mesmo modo que gostaríamos que eles se comportassem conosco." (Aristóteles)

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