2.3.17

26.2.17

Com ardor, John. (via romantizado)

Só espero que as pessoas ao redor do mundo sintam o amor que eu sinto. http://ift.tt/2mzPwqW

Ilusões de Esther. (via adesejar)


Oi, tudo bem com você? Espero que sim! Eu estou bem, na verdade muito bem. Acho que você já sabe o motivo, isso mesmo, é você. Fiquei pensando no que te dizer agora a noite toda, mas tudo que imaginei, não chegava nem perto do que sinto por você. Quando chegou esse ano, não fiz nenhuma promessa e você disse que também não fez. Isso não estava nos nossos planos, mas aconteceu, fomos surpreendidos e que surpresa boa. Você é o homem dos meus sonhos, simplesmente o amor da minha vida. Olha, até ano passado não pensava que existia isso, você me mudou, me fez uma pessoa melhor, só tenho o que te agradecer. Eu sei que já disse isso um milhão de vezes, mas eu te amo e sempre vou amar. Agora levante e vá até nossa cama, tô aqui te esperando, amor. http://ift.tt/2l0c08c

Pedro Pinheiro. (via adesejar)


Tá doendo? Porque essa é a minha intenção. Não me entenda mal, mas eu sofri muito na tua mão e é quase que um prazer te ver sofrendo assim. Lembra de quando eu disse que doía? Acho que agora você concorda comigo. Porque não é fácil entrar na vida de uma pessoa, agir como se ela fosse a sua favorita no mundo e depois simplesmente ir embora. E toda vez que eu dizia que te amava, você respondia que isso era coisa da minha cabeça. E eu sempre sussurrava para mim mesmo: Não é da cabeça, é do coração. http://ift.tt/2lXN3tM

Charles Bukowski. (via adesejar)


Isto não é um poema. Poemas são um tédio, eles te fazem dormir. Estas palavras te arrastam para uma nova loucura. Você foi abençoado, você foi atirado num lugar que cega de tanta luz. O elefante sonha com você agora. A curva do espaço se curva e ri. Você já pode morrer agora. Você já pode morrer do jeito que as pessoas deveriam morrer: esplêndidas, vitoriosas, ouvindo a música, sendo a música, rugindo, rugindo, rugindo. http://ift.tt/2lXaJyc

5.2.17

Lula, d. Marisa e o papel do líder partidário diante da morte



É espantoso ouvir as pessoas criticando Lula porque ele está "usando" a morte de sua mulher para fins políticos - ele está sendo até moderado nos ataques à oposição, sem citar, inclusive, a Lava-Jato, a República de Curitiba, ou qualquer outro de seus perseguidores diretamente.

Digo isso porque muitos dos que criticam Lula nesse momento se esquecem de um detalhe óbvio: ele é líder do PT. Mais ainda, é O LÍDER MÁXIMO de um partido que está levando bordoadas há muito tempo, da mídia e dos seus opositores, e cujos integrantes se julgam injustiçados porque seus defeitos são ressaltados, e os de seus detratores, esquecidos.

É a velha retórica: "bate em Chico, tem que bater em Francisco". Sem exceção.

...

Se Lula fosse comedido, ponderado, ao discursar para uma militância que o julga um injustiçado, seria leviano. Daria um tapa na cara daqueles que foram lá para defendê-lo, e que acreditam piamente que Sérgio Moro é um instrumento da classe média para a sua vingança contra o líder petista.

Uma análise equivocada, por motivos que não vem ao caso. Mas, ainda assim, encampada pela esquerda como o único motivo para se atacar aquele que chamam pejorativamente de "nove dedos".

Fosse um "lord", Lula trairia os seus. Ficaria sozinho, diante do mundo que o ameaça.

Sendo assim, é melhor ser guerreiro, liderar o exército. Lutar, pela sua honra e de sua esposa.

Torná-la uma mártir - que ela não é, nem quis ser

...

Marisa queria ficar longe da política, que o marido descansasse. 

Dá a entender que desejava aproveitar a "boa vida" depois de ter passado décadas cuidando da família - enquanto Lula cuidava do Partido e dos seus "interesses pessoais".

Queria um pouco de paz, no sítio de Atibaia. E, aparentemente, estava conseguindo isso.

Não se culpe a mulher de Lula por querer tudo do bom, nem com os "bons amigos"  do marido. Culpe-se, isso sim, a criminalização do que não é crime; a punição para o que não é delito.

Ou, mais ainda, o condenar alguém por querer "tudo do melhor" para a própria casa.

...

Quem sabe um ainda seremos racionais ao tratarmos de nossos líderes.

Quem sabe, um dia.

29.1.17

Contra a globalização, contra o globalismo: eis que Trump vem aí...

Um cidadão que foi eleito pelo americano dos rincões e das áreas pobres (e nacionalistas ao extremo) dos EUA não poderia fazer outra coisa senão proteger seu povo - e dar-lhe, enfim, esperança.

Isso é o que Donald Trump está fazendo nos EUA, num choque para quem via Obama, o presidente do mundo, fazer uma administração "bossa nova" demais para o gosto do estadunidense médio.

Fosse um brasileiro, falando duro com quem atrapalha o país, o povo aqui aplaudia. Ou não.

De fato, não mesmo: nossas elites, tais como Hollywood, também desceriam o sarrafo em um presidente que não adotasse o "modelo Imagine" de (falsa) união global.

...

Esse que vos escreve ia falar antes, mas há tempo para um alerta: Trump está contra o globalismo e a globalização, contra o mundo sem fronteiras (e religiões, e ideologias) e contra a segmentação econômica (que faz com que os países sejam especialistas demais, e reféns do que fazem melhor).

Ambos, a médio e longo prazo, são nocivos para o cidadão comum. 

...

Comecemos pelo globalismo, a tendência de querermos acabar com as fronteiras.

Nada mais insano: Estados, isoladamente, sempre serão mais fortes que organismos transnacionais, influenciados por burocratas que não conhecem a sola do sapato de suas pátrias. Trazem mais benéficos aos seus povos, ainda que num primeiro momento isso pareça uma tragédia.

O que parece lógico, pois quem vive nos grandes centros mundiais acha que está em um mundo global - quando, na verdade, se ilude ao achar que aquele religioso "gente-boa" que está do teu lado realmente acredita no que prega sua fé.

Ou vocês acham que o prefeito de Londres é muçulmano de fato e de direito, hein?

...

Quanto à globalização, no sentido econômico, raciocinem comigo: um país tem vinhos, e o outro, tecidos. O país dos tecidos faz um contrato de livre-comércio pedindo para o país dos vinhos liberar seu mercado indistintamente, em troca de abrir seu mercado para os vinhos do vizinho. O país dos vinhos concorda, pois terá mercado constante para seus produtos.

Perfeito, aparentemente. Entretanto, Portugal chora até hoje o tratado que fez com a Inglaterra, que lhe custou a possibilidade de crescimento econômico, e até mesmo perda de soberania.

...

Soberania. Palavra fora de moda - mas que, agora, está voltando, com bastante força.

Trump conseguirá recuperar o orgulho americano? Não sei, francamente. Não tenho nem ideia do que comerei no café-da-manhã. Contudo, tenho certeza: o cidadão médio americano está com ele. 

Mais do que o "globalizante" que foi ao JFK hoje pensa.

12.1.17

Para pensar

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é importante. Não há razão para não seguir seu coração.

Steve Jobs

25.11.16

Impeachment do Temer? Ora, francamente...

Será que ninguém percebeu que o governo Temer era apenas uma mudança de rumos no país, e que, do ponto de vista ético, seria trocar seis por meia dúzia? Ainda nessa tocada: será que as pessoas eram cegas o suficiente para entender que se era para medir honestidade Dilma poderia ser mais ética e honesta do que o atual chefe de Estado e de governo brasileiro?

Acredito piamente que Dilma deveria ter sido tirada do poder, não tanto pelos crimes do petrolão, mas por sua incompetência. Creio, particularmente, que só o parlamentarismo resolveria as crises que volta e meia existem em nosso Estado pseudo-policial.

Entretanto, deixemos de hipocrisia: o impeachment só foi para a frente porque a ex-presidente não sabia lidar com a política como ela é.

Temer sabe o que faz. É uma raposa velha. Reconhece que o Congresso é que tem o controle do país nessa fase da República, não obstante a Lava-Jato querer detonar a tudo e a todos.

Precisa dos políticos para governar. Esses, que todo mundo odeia, mas elege.

E sabe aquilo que a classe política mais detesta: ingratidão, humilhação, desmoralização.

Dilma fazia isso o tempo todo. Não governava em conjunto com os Poderes, em harmonia. Desautorizava articulações políticas, e achava que a rua resolveria tudo.

Quando os políticos cansaram, caiu. Sem muito esforço.

Vocês acham, francamente, que Temer, antenado com o mercado, os donos do poder e o Congresso, cairá desse jeito? Seria muita ingenuidade pensar assim.

Afinal, as ruas não representam a média da população. Talvez nem representem elas mesmas.

E os que realmente pagam a conta - empresários, trabalhadores, povo - querem paz.

E compras. Na Black Friday. Pela metade do dobro. Financiado.

Mas hoje. 

Não amanhã.

fps, 25/11/2016, 22:16

18.11.16

Reflexão



"Mesmo que ninguém perceba o seu valor é preciso seguir em frente. 

Lutar contra as intempéries, afastar os pingos de chuva, proteger os olhos do sol.

Mesmo que ninguém se importe, você se importa. 

Você se importou. Fez por merecer o lugar que tem hoje.

Agora vem o caminho das sombras, 
o desfiladeiro por onde os valentes passam para chegar onde desejam.

Não desista. Perto ou longe, não deixe de lutar.

Mesmo que ninguém queira saber de você, alguém está do teu lado. ELE está contigo.

E isso é o que interessa. 
É o que realmente importa. 
É o que você precisa.".

fps, 18/11/2016, 18:18

13.10.16

Para pensar

Ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para esculpir a serenidade. Usar a dor para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
 

2.10.16

Dória prefeito: a vitória do que São Paulo é sobre o que ela deveria ser

Enquanto a elite progressista de São Paulo chora a desgraça de ter perdido o prefeito mais revolucionário que passou pela cidade desde a redemocratização vamos nos focalizar nos dois modelos de cidade que poderiam ter passado ao segundo turno - claro, se a turba não tivesse se assustado com a votação forte de Fernando Haddad e despejado em João Dória votos suficientes para que o "coxinha de suéter" tucano se tornasse prefeito em primeiro turno.

...

Comecemos pelo grande derrotado, Haddad e o que São Paulo "deveria ter sido".

Haddad representa a esperança, propagada no Brasil por sites como o Cidade dos Sonhos e por pensadoras urbanísticas como Raquel Rolnik, de que São Paulo se tornasse uma cidade mais humana. Esse movimento de sonhadores urbanos, que vê cidades como Amsterdam e Copenhague como o ideal dos grandes centros, foi quem mais alimentou as atitudes que a Prefeitura de São Paulo tomou nos últimos anos - e a consequente raiva dos cidadãos contra um governo que, na opinião do Centro e das periferias, nada fez pelo cidadão paulistano, a não ser atrapalhá-lo.

Agindo como se vivesse em um mundo à parte, a Prefeitura teve a pachorra de comemorar medidas impopulares como se fossem grandes feitos. Imaginou poder mudar a opinião do cidadão médio culpando "a mídia" ou "a classe média" pelo retrocesso. Foi alimentada, nesse processo, por blogs e sites progressistas que desdenhavam claramente do sofrimento do cidadão médio da cidade.

Um governo que se nega a atender à necessidade do cidadão não poderia prosseguir. Seria ingenuidade dos petistas mais radicais e da turma "hipster" da cidade, aquela que mal sai do eixo Paulista-Baixo Augusta-"Vila Madá", imaginar que o atual prefeito conseguiria a reeleição.

Quem fala que os indignados da cidade apenas fazem "mimimi" merece levar uma surra - nas urnas, não nas ruas. E que foi dada em grande estilo, vinda de um cidadão que é o oposto de tudo isso que São Paulo viveu nos últimos quatro anos.

...

Se o futuro ex-prefeito é o sonho, João Agripino da Costa Doria Junior (ou Bisneto) é a realidade.

O lobista, publicitário, filho de deputado cassado pela ditadura, ex-presidente de estatal paulistana, ex-apresentador de "reality show"e de programa empresarial representa a fundo a imagem de uma São Paulo odiada pelos "hipsters", mas que é desejada pela grande maioria dos cidadãos.

É a "selva de pedra", sem humanidade aparente, em que as pessoas querem ser atendidas pelo Estado com um padrão de iniciativa privada (que SEMPRE será melhor, em sua opinião) e poder garantir para si e sua família uma "qualidade de vida", com as necessidades atendidas em primeiro lugar.

Esse cidadão, de todas as classes, não deseja ser incomodado por um conjunto de políticas públicas que não o favoreça, e que o obrigue a abrir mão de suas comodidades em função de um "bem comum" supostamente mais importante. Afinal, suas prioridades são mais relevantes do que esse todo, já que ele não tem tempo - ou possibilidade - de mudar seu estilo de vida para agradar à coletividade (entenda-se: aos membros da "elite progressista paulistana").

Aliás, ajustando bem os verbos: não é que ele "não deseja" ser incomodado. Ele NÃO QUER.

O cidadão comum não quer andar como "lesma lerda" nas Marginais e em outras avenidas porque irresponsáveis podem passar na frente dele - assim como não aguenta mais ver o drogado ao seu lado causando medo em seus filhos quando passa na rua. Ele detesta ver as ruas fechadas, impedindo seu direito de ir e vir rapidamente, para resolver coisas que deixou para fazer no final de semana.

Ah, e mais ainda: ele não usa ciclovia, nem ciclofaixa. Talvez até goste de uma bicicleta, mas para os fins de semana de lazer - afinal, quem tem medo de moto vai usar a "bike" todo dia?

...

São Paulo é uma cidade que se desenvolveu em torno de relações privatizadas. Loteamentos particulares desenvolvidos por companhias caras, ligados por grandes avenidas que "solucionaram" o problema dos córregos que inundavam a cidade - e que aumentaram ainda mais a segregação, ao delinear os bairros ricos, pobres e remediados que temos hoje.

Uma situação caótica, injusta, cruel - mas que esconde uma verdade inconveniente: o cidadão se acostumou a isso. Na verdade, até gosta, pois os bairros residenciais, tranquilos, se separam das zonas boêmias, e as áreas comerciais não "atrapalham" os locais com "cara de casa".

Essa era a situação da maior cidade do Brasil, esse microcosmos de tantos defeitos, essa metrópole ingovernável e incompreensível, que sempre está próxima do caos.

Mas que, surpreendentemente, se identifica com ele. Até o alimenta.

...

Dória não é o que a cidade precisa, mas é o que ela quer. Melhor se acostumar com isso.

P. S.: Em uma propaganda, a Prefeitura chama São Paulo de "Sampa" e define a cidade em poesia. Na outra, louva os feitos da administração enquanto mistura hip-hop com rap.

Desculpe, mas... quem é que disse que isso poderia dar certo?

14.9.16

Falou tudo...

10.9.16

Motivos para NÃO votar Haddad? Eu tenho alguns...

Corre um texto por aí, nas redes sociais, dizendo que temos que votar no Haddad porque "a cidade é (sic) as pessoas" e convocando todo mundo a largar de ser fantoche, porque o prefeito:

- Melhorou o trânsito
- Reduziu as mortes no trânsito
- Devolveu a rua para as pessoas em todas as subprefeituras
- Ressuscitou o Carnaval de rua de SP gerando receita
- Aprovou o plano diretor
- Construiu hospitais
- Construiu creches a ponto de quase zerar a fila de espera (vai zerar em 2 anos)
- Deu passe livre a 700 mil estudantes
- Construiu universidade
- Construiu mais de 400km de corredores e faixas de ônibus
- Entregou 400km de ciclovia
- Reduziu em 4 horas/semana o tempo gasto pelo trabalhador para ir e voltar do trabalho
- Criou um órgão de auditoria independente
- Não teve um caso de corrupção
- Não enriqueceu
- Regulamentou o Uber
- Reduziu a dívida do município

Vamos por partes: primeiro, ninguém pediu para o Haddad reduzir a velocidade nas ruas da cidade, nem construir ciclovias, tirar os carros das ruas aos domingos ou inventar faixas de ônibus onde elas não deveriam existir (como se o cidadão que usa carro fizesse isso por "vício", e não por necessidade).

A não ser que você seja um "modernette", do tipo que usa bicicleta para ir ao trabalho (ou que trabalhe em casa) a maior parte do que Haddad fez foi inútil para o cidadão paulistano. Este, o que vive nos bairros e se desloca por uma, duas horas para ir ao trabalho, precisa de alguém que faça a cidade funcionar do jeito que ele precisa, não da forma que a elite do eixo Paulista-Baixo Augusta-Pinheiros-"Vila Madá" sonha.

De que adianta reduzir o tempo gasto pelo trabalhador para ir de ônibus ao trabalho, se as baldeações forçam você a ir encaixotado, ou esperar mais tempo do que o previsto? Como se sente aquele que vê os estacionamentos proliferarem para todo lado, as ciclofaixas vazias, e sabendo que ele não pode simplesmente largar o carro e vir de "bike" ao trabalho?

De fato, ele conseguiu organizar as finanças da cidade, é um cara honesto, combateu a corrupção, fez o básico de governança que muitos desejam. Entretanto, isso é o que dá, mais raiva: Haddad seria o cara perfeito para governar a cidade, SE percebesse o que o cidadão quer de São Paulo.

Alguém que seja um síndico da cidade, que gerencie bem os nossos impostos - e que, sobretudo, NÃO INVENTE, não entre em modismos que não vão agregar valor para a vida do cidadão.

Que não fique achando que "precisamos evoluir", que entenda que São Paulo não é só o Centro, mas também os bairros, zonas e espaços - com diferentes necessidades, em todas as áreas.

Cidades são para pessoas, sim. Não devemos negar isso.
Mas pessoas querem a SUA cidade, não a dos outros.

Afinal de contas, não moramos em Amsterdam, Copenhague, ou Manhattan. Moramos em São Paulo.

E isso, lamentavelmente, Haddad não percebeu.

(original em https://www.facebook.com/trashetc/posts/1064309010312903)

23.8.16

Para pensar

Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto – é como se abrisse o mesmo livro – numa página nova…Uma vida não basta ser vivida. Ela precisa ser sonhada.
 
Mario Quintana

6.8.16

Comentários olímpicos (antes que passe a euforia ...)

Que festa, senhores ... que festa!

...

Embasbacados até agora, com o que o Rio pode fazer de melhor, esquecemo-nos por uns tempos das coisas ruins que ouvimos, e falamos, sobre o Brasil e ligamos a chave do ufanismo (embora, dessa vez, com o pé atrás pelos maus momentos que passa o país).

Diga-se de passagem, apesar de tudo o Brasil é capaz de fazer Jogos Olímpicos memoráveis. Toda Olimpíada, aliás, tem momentos inesquecíveis, e o Maracanã provou que sabemos fazer boas festas.

...

Temer vaiado? Claro. Políticos sempre serão os "papagaios de pirata", e o brasileiro não perdoa quem quer ser maior que a festa. Ainda vai existir o brasileiro que realmente goste de protocolo oficial, com discursos intermináveis exaltando os feitos dos chefes e governantes de plantão.

De mais a mais, não custa lembrar que os estádios brasileiros, até agora, só aplaudiram ditadores - Médici e Vargas estão aí para mostrar que as massas não costumam ser exemplo de reflexão.

...

Anita arrasou (e ainda deu patada no Waack, que glória!). 

...

Era para ser o Pelé. Mas a justiça fez com que Vanderlei acendesse a pira.

Afinal, o imaginário coletivo diz que futebol é futebol, Olimpíada é Olimpíada. E com a opinião do povo não se brinca: "vox populi, vox dei".


...

E que pira, gente. Que pira!

...

Os Wright inventaram o planador. O avião, esse é nosso.

...

Aquecimento global? Sim, claro, é bom economizar recursos.

Entretanto, quem dá o crédito de carbono para os países da periferia se desenvolverem?

...


Um texto anterior, desse que vos escreve, mostra o que achava pouco antes da Olimpíada começar:
Desde a sua refundação os Jogos Olímpicos serviram para muita coisa, boa e ruim. Propaganda de ditaduras, marketing de empresas, reconstrução de cidades, superação dos atletas. Serve até para o reforço dos nacionalismos (embora muitos hoje em dia achem que isso não tenha tanta importância). 
Prefiro acreditar, contudo, que para um grupo de pessoas tudo valerá a pena. Os atletas brasileiros, sempre desprezados, mereciam muito mais respeito do governo e iniciativa privada (tanto quanto, por exemplo, os nossos expoentes culturais, que tem privilégios e dinheiro que passam longe de nosso Esporte). 
Se nesta Olimpíada nossos atletas fizerem bonito, me dou por satisfeito. Eles só tem essa oportunidade para garantir o pão dos próximos quatro anos - pois as medalhas é que dão visibilidade (e, consequentemente, o investimento, ou a falta dele). 
Nosso país não sabe fazer marketing institucional. Isso está provado. Mas ao menos o Esporte devia ficar como um legado.
Se os atletas conseguirem um recorde de medalhas, e o país conseguir engatilhar uma boa política esportiva em consequência disso, todo o esforço de Nuzman, o arquiteto do Pan e da Rio 2016, esse dinheiro todo terá valido a pena.

...

Ingenuidade? Talvez. Mas permita-me isso.

Afinal, fosse pelos espertos, nunca faríamos Jogos Olímpicos no Rio.


3.8.16

A abertura da Olimpíada e a cisma em querermos vender ao mundo um Brasil que não existe

Este que vos escreve tem como "hobby" - na verdade, obsessão - ler e pensar sobre o mundo que o cerca, até porque a reflexão nos mantém protegidos da estupidez que assola o mundo. Em uma dessas andanças, me deparo com essa explicação, que Pedro Doria deu a respeito da polêmica envolvendo Gisele Bundchen e o assaltante-ambulante na abertura da Olimpíada de 2016:

"Quem assistiu ao ensaio da cerimônia de abertura das Olimpíadas tomou um susto. À distância, incorporando a aura da garota de Ipanema, Gisele Bundchen parecia ser assaltada por um menino negro para, ao fim, ser salva por policiais militares. O Comitê Rio 2016 rapidamente se manifestou. Mal entendido: não se tratava de um pivete mas de um camelô e a garota Bundchen apenas achava que era assalto.

A jornalista Flávia Oliveira é quem melhor articulou o problema. Camelôs vêm de uma tradição colonial. Os escravos urbanos eram enviados por seus senhores à rua para, ambulantes, vender comidas. Depois, libertos e sem estrutura, vendiam o que dava na mesma rua para sobreviver. A moça alta, bela e branca que se assusta com o ambulante negro está reencenando uma história perversamente brasileira. Reforçando um estereótipo, estimulando preconceito."
Descontando-se o fato de que o preconceito não vai acabar por decreto, ou porque retiramos toda menção a ele da mídia, me pus a pensar sobre a falta de bom senso que o politicamente correto de tirar uma nesga de realidade da abertura dos Jogos. Afinal, só no Brasil o pessoal consegue sentir vergonha quando falamos na figura do camelô, ou do ambulante - que é alguém que trabalha, e duro, para garantir sua subsistência (aliás, poucos sabem que escravo podia abrir conta-poupança, a fim de comprar sua carta de alforria ... e muitos compravam sua liberdade com os trabalhos extras feitos nas ruas como "negro de ganho").

Além disso, devemos fingir que a realidade não existe, é 'rosinha', politicamente correta, e ninguém se assusta com a chegada de um suspeito na rua - e dá risada quando descobre que não é nada disso? Ou deveríamos admitir que isso é uma verdade, ainda que inconveniente?

Quando queremos mascarar a realidade demais, declarando que ela não existe e mostrando algo diferente, ela nos soa falsa. Não dá credibilidade. Fica parecendo propaganda de ditadura.

E, observem: só nos países ditatoriais tudo funciona às mil maravilhas. Cingapura, onde o indivíduo insiste em te vender a imagem de um país perfeito mas no qual se vê o medo no olhar do estrangeiro; Azerbaijão, que estampa imagens de 'muito bem, Baku' em um GP que não tem patrocínio nenhum; Coreia do Norte, onde o sistema é tão puxa saco que ninguém percebe o ridículo que é cantar 'longa vida ao ditador' o tempo todo.

A realidade brasileira é dura, cruel - e o seu estereótipo é a verdade. Perdemos uma boa chance de discutir isso, ao invés de fingir que isso não existe, no bom estilo 1964.

Aliás, não era a ditadura que inventava um país que não existe, pelas mãos de uma mídia que fingia que estava tudo bem, enquanto o povo, via de regra, ia mal?

...

Pedro Doria disse que esse é "o preço de desconhecer a História". Eu, porém, vos digo: muito pior é tentar inventar uma História que não existe, para transformar vergonha em orgulho e vice-versa.

Isso porque o povo percebe que algo não está certo. E repudia o que não aceita.


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Disqus for Trash Etc!